Pra encerrar este blog, acho que devo uma palavrinha final, afinal faz um mês que voltei de Moçambique e muita coisa já mudou.
Pensei apenas em uma coisa. Sempre que me perguntam sobre a minha experiência na África, em Moçambique, etc, me perguntam: "Ai, mas o que você mais gostou de lá?"
E eu sempre respondo: "Eu gostei mais de mim mesma, lá". Pois acho que isso significa tudo que eu vivi, aprendi, amadureci, compreendi, isso resume toda a minha felicidade e a minha conquista, eu fui muito feliz durante todo o tempo que estive lá e isso reflete totalmente em mim, agora, pois continuo feliz, demais!
Por isso recomendo uma experiência dessas, seja pra qual lugar, em quais condições, como, sempre valerá a pena se você se sentir o melhor de você mesma. É isso. Acabou o blog, acabou a experiência, mas eu estou aqui, feliz e com essa baita viagem pra contar pro resto da minha vida.
Obs1 - P
ara mais informações e fotos acerca de Moçambique, meus grandes amigos de lá, continuam escrevendo em seus blog e postando em seus flickrs: Rê, Rê e Victor, Tiago, Giu, Zeca e muitos outros!
Obs 2 - Espero que este blog ainda sirva para muitas outras "lonjuras" que me encontrarei.
Tudo é estranho. Tudo é igual mas existe algo diferente, talvez seja eu mesma pós-África.
Será que me acostumo com tudo novamente, exatamente da mesma forma? Ou tudo vai ser tão novo e diferente?
Estou super empolgada com as disciplinas da faculdade, do meu último ano, mas morar em São Paulo acaba com minha paciência e um ano parece ser muito tempo.
É tão engraçado pensar que agora tenho outro lugar NO MUNDO com pessoas mais que queridas, preocupações e caminhos que já sei até de cor.
Por enquanto vejo as horas passarem lentamente na perspectiva de que estou cinco horas a frente.
E mil coisas passam pela minha cabeça...
Não são apenas os lugares, a cultura, as coisas que fazem um intercâmbio. Eu diria que viver expatriado é aprender a dizer adeus às pessoas. Principalmente para um bando de brasileiros que nunca se esbarrariam naquele território imenso senão pela coincidência chamada Maputo. Desde o meu primeiro dia aqui, já fui obrigada a me despedir da pessoa que me acolheu sem pestanejar: “Leo, boa viagem e muito obrigada, mesmo”. E desde então, os acenos no aeroporto e as lágrimas contidas não pararam mais.
Pessoas passam aqui alguns meses, certas férias, talvez anos, mas a hora de dizer adeus não é mais fácil relativamente ao tempo. Um show de despedida para a Aline, abraços de até logo em Nina e Pedro, uma festa com Cauby, um Ano Novo inesquecível com Victor e Sidsel, um desencontro com Débora e uma noite musical com Fabrício marcam o tempo que passamos juntos e o que não mais virá. Sentimento estranho esse de não saber onde nem quando a gente se vê de novo.
A sorte de quem fica, é que nem apenas de despedidas Moçambique é feita, receber de braços abertos quem acaba de chegar nessas terrinhas, faz um bem danado aos veteranos. Ainda mais quando a gente já se conhece tão bem pelos blogs da vida que se dar bem é certeza deveras, né Rê Vidal e seu marido?! Hehe
E segundo a minha teoria com a própria Rê Vidal, que tem muitos adeptos inclusive, querer vir pra Moçambique já é um filtro, de pessoas legais com cabeça boa e gente boa, portanto, chegar uma família tão nice como Anderson (Caniço), Rebeca e o lindinho Otto só nos faz confirmar nossa tese. Assim como a Sâmela, prestes a chegar, e outros que também já estiveram aqui e eu não tive a sorte de conhecer, mas sempre ouvi falar muito, como Serginho e Pons.
Ainda tem aqueles que ficam (pra sempre ou não, isso é muito difícil prever), afinal, aqui é o lugar deles, aqui é a família e eles tem um sentimento por Moçambique que nenhum expatriado, por mais amor a esse país, vai ter, mas aprendi tanto com eles, desde os macetes da terra, às linguagens e comidas e sempre vou aprender: Martina, Adérito, Aires, Paula, Helder, Flavia, Maria, Jéssica, Luana (lindinha), e tantos outros acolhedores.
E o futuro prefeito de Maputo então? Pelo menos se um dia eu voltar pra cá vou ter certeza de ver essa carinha conhecida aqui: Zeca! Não pensem vocês que me esqueci não, hehe. PatyGiu, Rê e Juscelino, me deram um lar e um sentimento de família de verdade, e ainda vão aproveitar mais um pouco, ou talvez muito, desse lugar que nos fez esbarrar pelo mundo.
Não vai ser fácil dizer adeus a tudo isso, a toda essa gente, mas também, não ia ser por causa do medo do adeus, que eu ia deixar de me entregar, de viver intensamente este lugar, e agora, a vinte dias da minha partida de Maputo, acho que posso afirmar, que o abraço de despedida, os acenos de até logo e as lágrimas de adeus vão ser sinal de que valeu a pena.
Os lugares mais próximos de Maputo eu conheci agora, há pouco tempo, tudo meio de última hora assim, mas valeu a pena, não vou me prolongar muito pois como muitos sabem estou sem computador, portanto, melhor apenas colocar algumas fotos e contar historietas. (só esse post foi composto de três dias e quatro computadores diferentes para terminar, obrigada pela colaboração pessoal!)
Catembe eu fui conhecer com Paty e os pais dela, que vieram para cá passar um mês com eles! A Balsa para atravessar ja comecou na tensão, com um degrau enorme pro Picantinho subir,
mas como a Paty virou pilota aqui em Moçambique, tudo deu certo e em uns 10 minutos chega-se do outro lado. Catembe na realidade, não á uma ilha, é uma
continuação da Baía de Maputo, mas ir por terra é uma volta desnecessária, por isso vamos de balsa - ou ferryboat, hehe. Chegando lá nos deparamos com a mesma praia de Maputo, afinal é muito perto mesmo, cheia de lixo na areia e uma cor estranha na água, mas demos uma volta pelo local, que ainda tem muitas precariedades, mas um povo simpatico e alegre. A Paty ajudou um menino com a matrícula da escola dele, pois aqui,
mesmo com escolas públicas, paga-se a matrícula, e esse ano, além de tudo, aumentou muito, e as pessoas não tem dinheiro para pagar. Enfim, foi um passeio curto mas proveitoso, pela
vista que temos da cidade de Maputo lá do outro lado, já vale a pena.
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| vista da cidade de Maputo |
Macaneta surgiu em um domingo de sol, aparentemente normal.
Rê Vidal ao meio dia - "Vamos para Macaneta, o Victão ta super empolgado e é aqui pertinho, 40 minutos no máximo a gente tá lá, chama o Juscelino e vamos."
(Toc-toc) "Juscelino, vamos para Macaneta? Rê e Victor estão chamando a gente
Juscelino - "O que é isso?"
Eu - "É uma Ilha aqui perto"
Juscelino - "Ahhh como eu não conheço lá eu topo! Vamos"
E lá fomos nós, eu Rê, Victor, Vinícius e Juscelino, bem equipados para um dia, ou metade dele, na praia bonita, mais próxima daqui.
Tudo seria lindo e belo se não tivéssemos escolhido o caminho da Costa do Sol após uma intensa semana de chuvas. O resultado:
Pelo menos aproveitamos meia hora em um mar APAVORANTE, eu diria! Ok, estava bem calmo nesse dia, mas as três ondas que levei na cara me assustaram mais do que a perspectiva de ter tubarões naquela praia.
Inhaca, uma ilha maravilhosa que fica logo à frente de Maputo, (dá pra ver quando o céu está limpo e a mare baixa) fica a três horas de barco aproximadamente daqui, e numa sexta feira eu e Carol saímos às compras para um final de semana neste lugar, com mais uma turminha. Pegamos o barco do governo que é 200 meticais a ida e 200 meticais a volta - 10 reais cada - , existem outras opções, barco da Vodacom e Avião teco-teco, mas eu diria que, se for por no papel tudo, gastos e tempo, compensa mais o barco do governo mesmo, sem contar a aventura autenticamente moçambicana que é, vale a pena. O mar estava calmo e o dia lindo, o passeio prometia, o barco sai as 7h30 e chega na Ilha por volta das 10h. Ainda é obrigatório pagar uma taxa da Ilha, se não me engano 200 meticais também, e como o barco é grande, quando chega-se bem próximo à Ilha, temos que pegar um barco menor até chegar mais perto e poder ir a pé. Por isso aqui serve um adendo: pouca bagagem, plize, esse negócio de levar muita coisa atrapalha nas passagens de barco.
Nos ficamos no Manico Camp, é um bom lugar, já vi gente falando bem e gente falando mal, nossa experiência foi boa, ate poderíamos ser mais bem tratados, mas... acho que é o lodge mais famoso de lá, ministrado por sul africanos, negociamos o valor das cabanas e dos passeios, mas existem outras opções até bem mais baratas, como o Maurícios Camp.
Fomos à Ilha dos Portugueses logo depois do almoço e como o nosso amigo Mike ja conhecia a Ilha de cor e salteado, visitamos umas lagoas naturais deslumbrantes, a poucos minutos de caminhada da praia principal dessa Ilha e ficamos lá até anoitecer praticamente, na delicinha do mar.
Eu me acabei de cansada e dormi bem cedo, pois no dia seguinte outro passeio ainda nos aguradava, a
Ponta de Santa Maria, um local com recifes de corais e uma natureza deslumbrante para se admirar, o passeio de barco até la demora uns 40 minutos e foi deste tempo que adquiri um bronze da mulata que quase me queimou no sol escaldante, chegando lá o mar estava lindo, dava pra ver já de cima muitos peixinhos coloridos, ouriços e estrelas do mar, tudo lindo e uma correnteza que quase nos leva pra Maputo a nado, como bem sabem, eu e meu medo de mar agitado, me contentei em ver de cima e no razinho aquelas belezinhas.
A
volta foi meio corrida, pois o tempo começava a fechar e o mar a se agitar e aí sim começa a maior aventura: o barco do governo em pleno mar agitado. Para nao começar a passar mal, nós brasileiros, resolvemos cantar a viagem toda e ficar longe dos vômitos e enjoos, colete salva vida era luxo e contamos mesmo é com a sorte. O mais lindo de tudo, e pra fechar com have de ouro foram os golfinhos acompanhando o barco e os passarinhos andando de lado (hahaha), nem preciso comentar meu escândalo né!
Chegamos sãos e salvos e tudo lindo e bem, valeu a pena, sempre vale.
Ahh conhecemos nesse passeio, pessoas maravilhosas, duas brasileiras que se empolgaram tanto quanto a gente, um italiano e outros mais, nossa galera só aumentou e a diversão também!
Pouco tempo. Muitos acontecimentos. Mil pensamentos. Cinco meses. Sete meses. Um ano.
E a perspectiva de ir embora de Moçambique em menos de um mês, tá me matando...
Para os meus planos iniciais, nem era pra eu estar em Moçambique agora, mas passou Dezembro, Natal, Ano Novo e em meus pesadelos eu me vejo indo embora, saindo daqui, lá longe no Brasil, me arrependendo profundamente de deixar este lugar, de ir embora em fevereiro. Mas as escolhas não são feitas apenas de vontades, se assim fossem, o mundo seria muito mais fácil e até chato, eu diria.
Vontade de ficar não me falta, mas eu tenho que ponderar certas coisas, e talvez escrevendo tudo aqui, quem lê pode me ajudar, mesmo já pedindo opinião demais por aí e sabendo que a decisão final cabe a mim e só a mim, não custa nada desabafar mais um pouco né?
Bem, pra começar, eu fui burra, eu sei, e pedi intercâmbio de apenas um semestre, e foi muito bem explicado que não existe possibilidade de prorrogação pelo CCINT - FFLCH, ou seja, ou eu volto pra minha matrícula no quinto ano da Letras do primeiro semestre de 2011, ou eu tranco meu curso por um período curto de seis meses para ficar mais aqui, já verifiquei todo este processo, e sim, posso trancar meu curso daqui e já tenho até minha procuradora, escolhida a dedo, para resolver as questões burocráticas para mim.
Não tenho pressa de me formar, quando eu era mais nova essa era minha grande preocupação - "Ahhh eu entrei com 19 anos na faculdade, nunca vou terminar, sou velha, e agora?" Mas hoje em dia eu sei que as experiências adquiridas valem muito mais do que os anos corridos mal aproveitados. Foi no final de 2009 que eu me apaixonei de vez pelo meu curso e decidi meu futuro: quero ser especialista em literatura africana em língua portugesa, é isso, quero mestrado nessa área, doutorado, quero saber tudo sobre literatura moçambicana e educação (tá, eu sei que tudo, eu nunca vou saber, mas é só a força da expressão) para meu projeto, que é meu, para minha realização pessoal, essa é a minha carreira, é o que eu escolhi pra mim. E olha onde eu estou? Moçambique, será que existe lugar melhor para dar continuidade a estes estudos (no meu nível: graduação) do que aqui?
Mas ao mesmo tempo, que eu não tenho pressa de me formar, quero meus amigos comigo na minha formatura, mas não vou abrigá-los a me esperar, é claro, afinal ninguém merece seis anos de um mesmo curso, eu entendo eles perfeitamente. Mas será que vou me formar somente com meus bixos e bixetes? Se bem que eu tenho muitos queridos na turma de 2008 também. As perguntas que não me calam são: colegas de 2007, vocês pretendem se formar quando? E pessoas, vocês vão à minha festa, independentemente do ano?
Sim, eu poderia voltar depois de formada, mas eu não pretendo vir para cá fazer mestrado, quero dar continuidade à minha graduação em outro lugar, talvez Portugal, e outra que se eu vier para cá depois, a curto prazo, seriam duas passagens a mais, gastos a mais, sendo que o adiamento da passagem é bem mais barato.
Outra coisa que não me cala na cabeçola é:
não posso ficar aqui à toa, preciso ter foco, se eu ficar aqui pra estudar, tenho que estudar, tenho que fazer valer a pena o tempo perdido para compensar as disciplinas e o conhecimento que estou perdendo em um semestre de Letras trancada. Sobre isso já estou correndo atrás, dando continuidade aos meus projetos (que já postei
aqui), conversando com os professores da UEM, poderia
assistir algumas disciplinas como ouvinte e depois quem sabe, pegar certificado para levar ao Brasil. Além disso quero muito ir até os
orfanatos e escolas regulares daqui da região de Maputo ministrar algumas aulas de português, trabalho para qual já fui convidada,
(sem fins lucrativos, claro!) e adoraria abraçar a oportunidade, assim que começarem as aulas aqui.
Teve um outro momento, que não contei aqui ainda, por falta de tempo, demorei cerca de cinco meses, mas finalmente conheci Mia Couto, quase morri de vergonha, fiquei vermelha, mas ele é tão simpático e aberto que ficou super interessado sobre a minha vinda pra cá e sobre meu projeto que agora trocamos e-mails. E eu ainda quero conhecer Paulina Chiziane por exemplo, e muitos outros escritores, me dizem que e fácil por aqui, mas não sei quanto ainda, tenho muito a perguntar, a questionar a aprender com esses meus ídolos primeiros.
Para tentar ganhar um dinheirinho, eu e Paty estamos tentando investir e dar continuidade a um projeto bem doce, o Miss Docinho, que merece uma descrição só dele e um foco muito bem planejado, mas que tem tudo para dar certo. O que não deixa de me preocupar com a questão de trabalho, tempo e dinheiro.
Tirando toda essa parte profissional e estudantal, vem a parte pessoal, que não vou dizer que não, pesa sim. Tenho saudades da minha vida de verdade no Brasil, não é uma saudade triste, como já expliquei tantas vezes, é uma coisa boa, mas no final de ano bateu mais forte, talvez pelo fato de que já estou há quase seis meses aqui e o tempo tem seus efeitos nas pessoas. Tenho medo que minha cachorrinha se esqueça de mim por exemplo. Antes, tinha alguém me esperando, e ele sabe que eu não preciso dele, da opinião dele, mas eu quero, eu gosto de querer, mas ele não me espera mais, isso por vezes me faz mal, por vezes me da motivos para ficar, por vezes me dá apenas saudade. Tenho receio de perder alguma boa fase que eu não viva, apenas por não estar presente.
E também tem meu lado pessoal moçambicano, agradeço tanto por ter conhecido o Leo e todos os outros que aqui estão (e outros até que já foram embora) por me ajudarem, por me aguentarem, me abrigarem, e com o máximo que posso retribuir de amizade, eu retribuo, mas eu ainda sinto que incomodo, e se eu ficar, vou incomodar ainda mais, porque eu vim aqui pra ficar cinco meses, mas já estou além e vou obrigar eles a me aguentarem mais ainda? Sendo que eu não fazia parte dos planos de nenhum deles? Ai, eu penso assim, não adianta.
Mas tem a parte de lazer também, até hoje já conheci algumas coisas, mas até fevereiro não dá tempo de visitar todos os lugares que estavam no meu planejamento inicial, como a Suazilândia, por exemplo, com mais tempo com certeza conhecerei e terei muito mais experiências. Já por agora, recebi convites de meus amigos da faculdade para conhecer cidades que eles moram, no norte de Moçambique, e com certeza, vale muito a pena.
Eu sei, que pelas minhas inclinações eu já pareço ter decidido ficar, mas ainda falta o principal: decidir! Então qualquer ajuda, opinião, crítica ou sugestão é muito bem vinda, mesmo escrevendo muito, espero que leiam! Obrigada, hehe. Eu juro, da próxima vez, tomar meu remedinho contra indecisão.
No último domingo, dia 19 de dezembro, resolvemos fazer algo que eu pretendia fazer desde muito antes de sonhar em estar na África, e com certeza foi algo que valeu toda essa minha viagem até agora: fomos até dois orfanatos e algumas comunidades isoladas na cidade de Namaacha, para fazer algumas doações de roupas e brinquedos.
A organização foi bem corrida, tudo começou com a Maria, que nos contou sobre os orfanatos e a facilidade de ir a Namaacha, e aí nos empolgamos, resolvemos divulgar no facebook e algumas pessoas se mostraram interessadas em nos ajudar. No sábado, afinal, conseguimos boas doações, entre elas Renata, Renata e Victor e Maria que colaboraram muito, poucas pessoas ao todo, mas tudo que foi doado encheu até o teto dois carros, e assim, seguimos nosso rumo: Zeca, eu, Maria e PatyGiu até a Namaacha.
É uma cidade da província de Maputo, cerca de uma hora daqui, nível mais acima do mar, o que traz à cidade um ar de campo, com muito verde, se, poluição e paisagens lindas pela estrada. É uma cidade conhecida pelas suas águas, cachoeiras e fontes e pela calmaria, além de ser fronteira com a Suazilândia, um país minúsculo, governado por um rei. Digo que vale a pena passar um dia por lá, em Namaacha, pra descansar da cidade de Maputo.
Nossa primeira parada foi no Orfanato Maria Auxiliadora, no qual encontramos três Irmãs muito simpáticas (duas delas já moraram no Brasil) e conversamos muito com elas, sempre atenciosas, prestativas e simpáticas. Pena que as crianças, todas meninas de 6 a 16 anos em média, estavam de férias, as Irmãs nos explicaram que o orfanato é direcionado à crianças que perderam os pais, mas ainda tem família (tio, tia, avós, irmãos) para passarem as férias. No orfnanato elas estudam o curso normal, têm quartos lindos, limpos e arrumados, aprendem diferentes técnicas, religião, entre outras afazeres. O orfanato é mantido apenas com doações mesmo, que não são muitas e ministrado por apenas seis freiras que cuidam de 93 meninas.

Conversando com elas surgiu a oportunidade de passar uns dias, um tempo, quanto eu quiser, para dar aulas, de reforço de português para as meninas e contar histórias, projeto este, que me empolgou muito. Assim que as aulas por ali começarem quero investir nessa ideia. Deixamos para o orfanato muitos brinquedos de menina e algumas roupas e livros, mas eles ainda precisam de muita ajuda, principalmente de alimentos, como arroz, açucar e óleo, por isso estamos organizando uma próxima doação com este intuito, quem estiver interessado em ajudar, é só entrar em contato.

Seguindo pela estrada, encontrávamos muitas crianças e distribuímos mais brinquedos. Paramos em uma comunidade relativamente grande, com muitas mulheres e crianças para distribuir a maior parte das doações. Tudo começou bem e depois foi um alvoroço, as pessoas ficaram muito empolgadas com as roupas e cada vez chegava mais gente, quase que, em cinco pessoas, não demos conta de atender todos. Faltou um pouco de organização da nossa parte também, mas pelo menos já aprendemos. O melhor de tudo era ver a carinha de felizes das crianças quando ganhavam brinquedos, dos meninos quando pegaram a bola de futebol, das mulheres com as roupas da Renata e dos homens com as roupas do pai da Maria, foi realmente muito gratificante, mesmo sendo uma dicotomia entre tristeza e felicidade.

Depois do almoço ainda fomos procurar o outro orfanato da Namaacha, do Sangue Precioso, se não me engano, ministrado pela Irmã Marieta, também muito atenciosa e simpática, que recebeu de muito bom grado alguns brinquedos e roupas e nos convidou para uma visita a qualquer hora, também com a oportunidade de dar aula para as crianças, passar o dia com elas e desenvolver atividades variadas.
No caminho de volta para Maputo, tudo rodava pelas nossas cabecinhas, África, Brasil, Moçambique, pobreza, oportunidades, pureza, ajuda, próximo, caridade, amor, compaixão, vida... é, com certeza são atitudes como essa que noz fazem refletir sobre isso: vida.
Obs. 1 - Fotos de Giu - visitem o
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